quinta-feira, julho 18, 2013

Capa Vermelha

"Eu tenho aquela vontade de mudar tudo.
O sonho da capa vermelha nas costas, voando por aí, fazendo o bem.
Mas do jeito que o negócio tá, se eu pudesse voar, eu iria pra longe.

Talvez buscar minha esperança, que eu já nem sei mais onde está..."

terça-feira, agosto 07, 2012

O problema amor...

Sabe qual é o problema do amor?
É que você ama.
E sabe que ama, independente do que aconteça ou do que se faça, você sabe que ama.

E quem você ama sempre vai ter um amor instável a seu ver.
Pois às vezes, o outro vai dar na cara que realmente te ama.
E às vezes, você já não vai mais ter tanta certeza assim.
Mas você ama.
Vai fazer o quê?
Amor só vai para o lixo com o tempo.
E se for amor mesmo, demora.
A não ser que tudo só tenha "parecido" amor.
Amor se constrói, conquista, sorri.
E mesmo com aquela pontinha de dúvida se é amor mesmo, ainda é amor.
Ainda se tem um pouquinho de amor.

E sabe qual é o único e mais complicado problema do amor?
É amar...

quarta-feira, julho 11, 2012

Mundos

E então ela teve que voltar ao mundo real.
Duro. Sólido. Asfalto. Nublado.
Um mundo real que muitas vezes machuca.
Suscetível à perdas e dores, desabores.

E ela quer que tudo acabe logo, e quer que tudo chegue ao fim.
Para que finalmente volte ao seu mundo colorido, doce, feliz.
Um mundo onde tudo é lindo.
Suscetível à sorrisos e risadas, felicidade.

Fachada.
Sorriso de fachada. Brincadeira, de fachada
Ninguém sabia o que realmente acontecia ali dentro.
Nem em um mundo. E nem no outro

E ela pensava e não encontrava justificativa:
"Que ironia da vida, não? Que ironia esses meus dois mundos e meus pensamentos...
Afinal, o mundo real, que machuca, é o único verdadeiro comigo.
Meu mundo tão perfeito é imaginário. E falso comigo."

A que mundo pertenceria então, se perguntou.
Não sabia.
Não sabia se sonhava, com as mãos nas nuvens fofinhas.
Não sabia se colocava seus pés no duro chão do asfalto.

Fechou os olhos e imaginou um outro mundo.
Um mundo perfeito.
Perfeito e equilibrado.
Onde mesmo com os pés no asfalto, alcançava as nuvens no céu.

Abriu os olhos e riu de si mesma.
A resposta estava ali. Sempre esteve. Sempre foi.

Não havia o mundo.
O mundo, já não a via.

quinta-feira, abril 26, 2012

Confiar...


Ela tinha saudade da época em que era inocente, não via maldade nas pessoas, e achava que tudo era lindo... E ainda não sabe, se o melhor é viver o hoje desconfiado e sem ninguém para confiar, ou o ontem em que tudo parecia tão alegre e soava falsamente verdadeiro.
Enfim, deve-se viver o presente. E pensar no futuro.

E com certeza não quer pessoas falsas no seu hoje.
E com certeza não quer pessoas falsas no seu amanhã.

Então que se dane o falso passado, porque aquele a fez crescer, mesmo que desconfiada, e hoje sabe como se guiar, pensa onde vai pisar, e olha nos olhos e vê bem em quem talvez possa confiar...

segunda-feira, março 26, 2012

Gosta, afasta, machuca, gente...

Por mais que a gente goste.
É melhor se afastar.
Por mais que a gente goste de alguém, sempre tem alguém pra te machucar.
Então, melhor se afastar de gente que a gente gosta, e que gosta de te machucar...
Por mais que a gente goste de gente que a gente acha que gosta da gente, mas sempre tenta te machucar...
E tem aqueles que machucam, mas a gente gosta tanto que nem consegue se afastar...
Então eu me afasto de gente que eu gosto, com medo de me machucar...
E me machuco quando afasto de gente que gosta da gente de verdade...
Por que é esse tipo de gente que a gente gosta e que nunca sabemos se machuca a gente, que a gente sempre tem que desconfiar...
Então, a gente tem que gostar de quem gosta da gente.
E se afastar de gente que machuca a gente.
Por mais que a gente goste...

quinta-feira, março 22, 2012

Fotos...

Sim...
Ela tem até hoje fotos que a fazem chorar, de tão gostosas que são as lembranças.
E tem fotos que gostaria de nem ter tirado. Nem era um momento tão bom assim para guardar...
E tem fotos que não sente nada quando as vê, ou encontra perdidas por aí.
E tantas outras que nem se lembra, de tão indiferentes...
E outras que a fazem sentir uma nostalgia... Mesmo que não fosse um momento importante, mas talvez, houvessem pessoas interessantes.

E tem aquelas que nem são fotos, reveladas, digitais. São os mais simples momentos que ela guarda dentro do peito, na memória, e não sente nenhuma vontade de compartilhar. Afinal, não são todos que merecem conhecer suas lembranças.

E é exatamente por isso que são tão especiais: Nem mesmo as piores pessoas do mundo poderiam estragar tais lembranças, tais fotos que ela guarda dentro de si mesma...

sábado, dezembro 24, 2011

Ultimo post do ano. Gigante, um desabafo. Um “eu, por eu mesma” e “meu ano, por mim mesma”.


Talvez esse post gigante não interesse a muitos, né, afinal deu umas 6, ou 7 páginas no Word, mas me disseram que seria uma boa postar, então, por que não? Vamos lá!

Já passa das 3h da manhã, hoje é terça e na verdade não sei bem o que vim fazer aqui, há essa hora, sendo que deveria estar na cama, roncando a muito já. Na verdade não sei nem por que eu estou falando de mim mesma. É difícil escrever sobre coisas pelas quais passei, ou por coisas que eu gostaria de falar em primeira pessoa. É meio complicado até para eu mesma. Estava deitada no sofá, e começou a tocar Red Hot Chilli Pepers, uma musiquinha antiga até, e eu não faço ideia do motivo, ou da razão, mas me deu uma vontade de sentar nessa cadeira desconfortável e escrever...
Escrever sobre os vários filmes que tenho assistido, sobre as noites gostosas em que pude dormir abraçada com meu namorado, sobre minhas angústias, sobre as coisas ruins pelas quais tenho pensado e nem sei por quê. Pela esperança estranha que tenho sentido, misturada com essa desesperança toda. Já me disseram que eu sou indecisa até em relação ao que eu sinto, mas que isso é por causa do meu signo, Libra.
Mas o que aconteceu de tão louco para eu sentar e querer escrever, assim, em primeira pessoa, voltar a falar de mim, não me colocando como uma estranha, dentro de mim mesma? Não sei, simplesmente me deu vontade.
Talvez seja essa coisa toda de final de ano. Pôr na balança as coisas que passei, que deveria ter passado e pretendo passar no próximo ano. Ou então, seja simplesmente um ataque súbito de TPM. Não sei, realmente não sei.
Andei pensando e percebi que faço um balanço sobre meus anos, todos os anos.  E quando sinto que as lágrimas querem sair, lembro que passei muitas coisas gostosas, e também momentos de raiva, nervoso, mas disso, quase não me lembro. Lembro de ter chorado por besteira, lembro de ter ficado com raiva de pessoas, por besteira. E lembro o quanto eu e tantas outras pessoas são idiotas em levar tudo isso dentro de si, em detalhes, em dor. Não sou a melhor pessoa do mundo. Lembro de tanta vezes que fiz isso, fiquei com raiva e remoí dentro de mim tudo que era ruim, mas raramente lembro os motivos. Talvez uma coisa ou outra que realmente me magoou, mas já passou, o que eu poderia fazer para mudar?
E então, me lembro dos passeios de mãos dadas com meu namorado, numa São Paulo estrelada, depois de uma consulta médica. Lembro das conversas deitada na cama, com ele, sobre qualquer assunto, lembro de tantos filmes que assistimos juntos, lembro de tudo isso, e esqueço todas as coisas ruins.
E então lembro dos sorrisos da minha avó. Que ri por tanta besteira que eu falo, e que me desce a porrada, com vontade, quando eu a irrito. Lembro dos sorrisos da minha família, porque eu sou, sem dúvida, uma pessoa muito idiota e que fala coisas mais idiotas ainda só pra ver se alguém ri. É, e normalmente, eu consigo.
Lembro de ter segurado o choro muitas vezes esse ano, talvez tentando mostrar a mim mesma e as pessoas ao meu redor, que eu sou forte, e talvez eu não seja tudo isso não. Não sei, é complicado demais tentar levar o “peso do mundo nas costas”, às vezes.
Lembro de todas as coisas que prometi a mim mesma, e não cumpri. Lembro de todas as coisas que prometi a mim mesma, e cumpri. Lembro das tentativas frustradas, lembro de todas as vezes que tentei de novo e consegui. E lembro de todas as vezes que larguei alguma coisa pela metade e me arrependi. Ou não me arrependi, e ainda me senti bem em ter largado de lado, no meio do caminho.
Lembro dos tantos planos que eu havia feito ainda no ano passado, e de alguma forma, eu os faço novamente. Mais madura, talvez, com os pensamentos mais amadurecidos, e com maior discernimento do que possa ser realmente bom, ou realmente ruim.
Lembro que conheci gente nova, que eu retomei conversa com gente antiga. E acho até que consegui a proeza de uns amigos para a vida inteira. Lembrei dos tantos conselhos bons que recebi de uma menina arretada, que eu conheci esse ano mesmo, e que sei que quer meu melhor... É uma das pessoas mais sinceras e verdadeiras que eu conheci, e uma das poucas que posso agradecer por tudo de bom que tem me acrescentado até hoje, em relação à coisas que me façam pensar, e refletir... E um outro, que alem dos conselhos, e conversas, ainda cuida da saúde dos meus dentes. Apesar de às vezes achar que perdi (ou não) outro amigo de vida inteira, por puro orgulho. Tanto de minha, como também da parte dele. Por um momento achei que talvez fosse por ele ter encontrado alguém que o fizesse bem, e que de alguma forma eu já não servisse para mais nada, mas acho que estava enganada. Nos preocupamos um com o outro, talvez só não haja tempo. Ele é uma pessoa boa sim, apesar de ser um folgado, é um bom amigo e me dava bons conselhos. No Natal vou mandar uma mensagem para ele, vamos ver se ele vai responder. Não falo com ele já faz uns meses, mas sei que ele está bem, afinal, é um amigo de vida inteira, conheço o figura. Talvez ele nem tenha se lembrado do meu aniversário, ou então lembrou, e não disse nada, mas mesmo assim, sou chata e não o quero perder a amizade assim, sem resolver nada.
E então, lembro de uma pessoa especial, que se eu pudesse protegeria de tudo e traria de volta para ela, a pessoa que ela perdeu esse ano. E tentaria a fazer esquecer de tudo de ruim, de todo aperto e raiva, as lágrimas, o nervoso que essa pessoa teve que passar durante esse ano todo, e independente do motivo, eu me preocupei. E lembrei de todas as vezes que ela se preocupou comigo. E guardei somente os sorrisos, e essa coisa toda de irmã mais velha, que é superprotetora, e quer cuidar. Lembro que esse ano eu jurei para mim mesma não me afastar nunca mais desse certo alguém. E vamos até nos tatuar juntas! Vamos sim, e ter mais uma coisa para nos tornar ainda mais inseparáveis, por mais que eu ainda tenha a sensação de tê-la deixado na mão. Ela diz “relaxa, tá tudo bem”, mas para mim não está...
Eu tenho a maldita mania de querer me afastar das pessoas quando não me sinto bem. Quero ficar na minha e não descontar, nem conversar com ninguém, e isso faz com que eu acabe falhando com quem precisa. E a essa pessoa, eu só peço desculpas, eu sei que ela me entende, como ninguém mais entenderia, e ela sabe que eu sou assim, sempre fui, eu simplesmente me afasto. Desculpa, e eu te amo muito, você sabe...
Me senti diferente por esse ano todo. A morte do meu avô há dois anos atrás me fez amadurecer de uma vez, e eu comecei a ver a vida de um jeito diferente, sim. Ele me faz uma falta tremenda, mas ao mesmo tempo, acho que se ele ainda estivesse aqui, eu continuaria sendo a menininha ingênua do vovô. A morte dele me fez pensar em muita coisa, e eu vi que estava dando importância a muita coisa pela qual não deveria nem sequer ligar. Assim como ele não se importava, hoje já não me importo mais em gastar com as coisas que eu gosto, ou que irão fazer as pessoas ao meu redor felizes. Parece irresponsável falar assim, parece idiota, mas quando se tem limite, e sabe até onde se pode gastar, para mim, umas das melhores coisas do mundo é ter o prazer de estar com uma graninha no bolso e comprar uma coisinha qualquer só pra ver meu irmão sorrir, por exemplo. Se eu visse que meu irmão quer e merece uma coisa qualquer, e eu morresse, eu não me perdoaria numa “vida pós morte”, caso eu tivesse condições de gastar, mas por pura frescura, não ter feito meu irmão sorrir...
Taí, meu irmão. Ahh, como ele me faz sorrir... Daquele jeito dele, que ao mesmo tempo que me encanta, me irrita, e me faz rir tanto... Meu namorado que me perdoe, mas acho que não há homem no mundo que me faça ser mais apaixonada do que sou pelo meu irmão. Pode ser que daqui a uns anos aconteça alguma coisa e a gente brigue, sei lá, ou então algo nos faça afastar um do outro... Não sei do futuro. Mas se eu pudesse de alguma forma garantir que meu irmão e eu sejamos grudados para sempre, e que ele nunca deixe de me pedir um abraço assim que nos encontramos, mesmo eu estando nervosa ou feliz, se eu pudesse garantir que ele seja sempre esse menino gentil que me vê chorando e me traz um pedaço de papel para que eu enxugue minhas lágrimas, que me faça sentir um ciúme doentio, toda vez que alguém brinque falando que ele tem uma namoradinha na escola, aah, eu faria, com certeza, eu garantiria que nada disso mudasse, nunca...
Minha mãe também deveria ser eterna! Que mulher que me irrita, mas que mulher que me faz sorrir! Ninguém me dá conselhos como ela me dá, ou prevê o futuro como ela prevê. Não lembro de uma que ela tenha errado, ela sempre acerta. Ouvi dizer que isso é coisa de mãe. Vai saber né? Mãe é coisa de outro mundo. E ela detém de mim, o tipo de sentimento que eu não sei nem como expressar, talvez por ser tão grande, tão forte, tão tudo. Por ela sim, eu boto mão, pé, nariz, me jogo no fogo, sem nem pensar duas vezes.
Esse ano eu percebi que certas pessoas não são tão dignas de confiança, e apesar de todos os anos eu perceber isso, vindo de uma pessoa nova, diferente, todo ano eu sinto isso com uma cabeça diferente do que senti no ano anterior. O fato é, que eu já sou bem desconfiada. E quanto mais velha vou ficando, mais desconfiada eu fico, mas ainda assim, eu nunca aprendo. Talvez eu ainda acredite demais nas pessoas.
Quanto a essa esperança esquisita, é como se eu sentisse que algo vai acontecer. Algo bom, ruim, não sei. Mas algo vai acontecer e isso vai mudar minha vida. Estou com um pressentimento, não sei bem o que é. Odeio me sentir assim, e é difícil explicar.
Tenho alguns sonhos, vontades loucas de fazer certas coisas, de passar por certos momentos que eu quero que sejam memoráveis. E a cada dia que passa é como se isso estivesse cada vez mais perto de se realizar. O que é? Não digo, e apesar de sentir tudo isso, não gosto nem de pensar, porque odeio sentir essa esperança, e por mais que eu esteja, à minha maneira, correndo atrás para que tudo isso se realize, eu não quero me frustrar.
O problema de me expressar assim, escrevendo, é que quando eu vejo, eu não parei de escrever, e muitas vezes, além de não ter concluído a minha ideia, quando leio de novo, percebo que nada do que escrevi tem sentido.
 Então vamos lá, preciso ver como esse texto vai terminar.
Lembro que esse ano prestei mais atenção em relação às coisas do mundo. Voltei a prestar atenção nas coisas ruins que acontecem, e na maioria das vezes fiquei horrorizada. E percebi que tudo isso estava se tornando “normal”. Lembro de uma conversa que tive há uns dez anos com meu avô, e talvez ninguém aqui em casa saiba, ou tenha percebido a mudança que essa conversa trouxe, mas o que eu falei o fez ficar meio no ar... Eu lhe disse que não via o porquê de assistir programas policiais na televisão, afinal, de tanto assistir, acabamos nos acostumando e já não se surpreendendo com mais nada, que aquele tipo de coisa era meio exagerado e que as coisas ruins continuariam a acontecer, e chegaria uma hora que acharíamos normal, e não ligaríamos mais, não prestaríamos mais atenção e não faríamos mais nada. Desde então ele parou de assistir aqueles programas. E quando parei para pensar, eu percebi que eu mesma me afastei de todos os tipos de noticiários. Hoje, quando vejo alguma coisa eu fico meio surpresa. Esquisito, né? Sem sentido, mas... Enfim...
Lembro que fiquei de luto antes mesmo do meu avô morrer, e não comemorei meu aniversario antes de ele partir, e nem depois. Mas esse ano eu fiz diferente. Eu prometi a mim mesma que comemoraria, porque ele ficaria feliz em me ver feliz, e foi isso que eu fiz. Reuni um pessoal e sorri de verdade a noite inteira. E quando tudo acabou e eu fui para casa, eu chorei. Mas chorei de feliz, de tão feliz que eu me senti, havia sido tudo perfeito, melhor do que eu havia imaginado, e na hora em que eu apaguei as velinhas do meu bolo, eu senti meu avô comigo, feliz, por mais que estivesse com a carinha de bravo de sempre. E no Natal, vou fazer o mesmo. Vou comemorar. E vou sentir ele, aqui, feliz, e comigo.
Percebi, que apesar de já ter mencionado ele várias vezes aqui, eu já não chorei tantas vezes durante este ano. Eu mais sorri, lembrando das coisas que aprontávamos juntos, do que chorei. Tudo isso é uma forma de desabafo, então eu preciso falar tudo isso.
Durante um tempo, eu fechava meus olhos e me lembrava dele no caixão. É, falando assim mesmo, lembrava dele lá, deitado, como se estivesse acontecendo tudo de novo. Lembrava do meu desespero. Eu não queria de jeito nenhum entrar na salinha e vê-lo sem vida, e quando entrei, não consegui me controlar e o desespero estava em meus olhos. Tinha medo de só me lembrar dele no velório, ou então de quando estava doente no hospital (ele estava com câncer, e apesar de ter sido retirado, sofreu metástase, ficou um tempão internado, mas não resistiu), achei que para sempre lembraria dessas coisas ruins, mas na maioria das vezes que ele me vem em pensamento, eu lembro dele sorrindo. E isso era raro. Seria muito mais fácil lembrar de tudo isso, de toda essa coisa ruim que ele passou, que todos nós passamos. Eu me lembro, não tem como esquecer... Mas a lembrança dele sorrindo é muito mais intensa do que qualquer outra coisa. Foi aí que eu entendi, e percebi, que eu realmente sei diferenciar as coisas pelas quais devo guardar dentro de mim, que eu devo lembrar e devo esquecer. E por isso, ignoro as lembranças ruins, esqueço o motivo das brigas idiotas, esqueço o rancor, e guardo apenas a desconfiança. Porque confiança sim, é algo que só se consegue uma vez. E quando você sente que não pode confiar ou acreditar muito nas palavras de alguém, poucas vezes você está errado. E isso, meu avô já havia me ensinado em vida.
Notei que apesar de tudo, o Natal daquela menina de 13 anos atrás ainda tem a sua importância. Disse que comemoraria o Natal este ano, não disse? Pois bem. Este ano tem uma árvore nova, linda, diferente, do jeito que eu queria. Adoro as luzes de Natal, e a forma como elas me encantam. Fui a uma loja de época e por mim, levaria TUDO o que havia naquela loja, se eu pudesse. E claro, se minha avó não fosse ficar louca e ter um treco quando visse tudo. Na verdade, quando ela viu a árvore de 1,80m, com fibra ótica em seus galhos, ela já quase enfartou. E meus olhos brilham todas as vezes em que ela é ligada. Posso passar horas, feito uma louca, observando-a piscar, colorida, toda linda...
Descobri que eu realmente sou péssima jogando vídeo-game, mas que, cara, é minha paixão. Não adianta, eu posso ser muito ruim nisso, mas como eu adoro jogar. Demoro meses para terminar um jogo, pois jogo só quando tenho paciência, ao contrário de muitos, mas eu adoro jogar. Tem gente que joga pra desestressar. Se eu estiver estressada, esquece, não consigo jogar, não consigo me concentrar. E ponto. Não me julguem!
Do jeito que eu escrevo é tudo lindo, e sei lá, mas vai saber se alguém não me acha idiota de pensar que tudo é lindo assim? Não é lindo, eu sei. E eu não sou perfeita, eu sei. Não sou perfeita, e estou muito longe mesmo, de verdade, de ser. Sinto raiva, xingo, odeio várias coisas, e muitas vezes sou grossa com quem não deveria, ou então, jogo coisas no chão quando perco a cabeça. Já desejei a morte de alguém, de tão nervosa que estava, e já senti vontade de socar pessoas até explodir seus crânios. E quem já não sentiu tudo isso? De forma muito intensa, e depois que tudo passa, até nós mesmos não sabemos como sentimos tudo isso. Mas ainda assim, ignoro tudo isso e quero mais é que se... Exploda.
Essas últimas noites tem sido bem gostosinhas. Filmes, filmes, banhados a coca-cola e pão de mel. Às vezes chá, às vezes um suco... Mas sempre, na melhor companhia. Desde a semana retrasada já assisti filmes de ficção, comédia, e até um filme que me identifiquei muito... Agora parti para a leitura. Ainda com uma ótima companhia.
Sabe quando a mãe ou o pai lê uma historia para o filho poder dormir? Tenho me sentido assim nos últimos dias. Lendo em voz alta, e imaginando tudo o que se passa no livro junto com meu namorado, é como se fizéssemos uma oficina de leitura, só nossa. E tem sido uma experiência maravilhosa. Estou tentando convencê-lo de irmos ler em algum parque ou então no Lago dos Patos mesmo. Embaixo da árvore que nós sempre falamos que é nossa, e que todas às vezes em que a gente vai lá, é a sombra dela que procuramos, para sentar, conversar e raras vezes até beber um vinho barato e dar risada. É tão gostoso ler à sombra de uma árvore! As pessoas deveriam tentar...
Aliás... Quem me conhece sabe. Andando pela rua, em qualquer lugar, às vezes a inspiração vem, e eu escrevo. Mas é cada coisa que se vê por aí também, que chega a desanimar... Credo!
Por isso, acho que as pessoas, neste ano que está chegando, deveriam tentar mais. Tentar ler mais, principalmente à sombra de árvores. Tentar esquecer as mágoas ou as coisas tristes que aconteceram. Tentar relevar certas coisas sem importância, e as deixar de lado. Tentar lembrar das coisas gostosas que passaram com os avós, e quem tem oportunidade ainda, tentar passar mais coisas ainda mais gostosas com eles. Tentar sorrir mais. Tentar voltar a ser criança de vez em quando, e esquecer, só um pouquinho, da porcaria da conta que tem que pagar na semana que vem. Tentar, às vezes, parar de planejar e deixar as coisas fluírem. Tentar prestar atenção nos periquitos barulhentos de que tanto falo em meus posts, no blog. Tentar prestar atenção no Sol na hora em que nasce, na hora em que se põe. Tentar prestar atenção naquele ventinho gostoso de uma noite estrelada. Tentar esquecer do mundo e só olhar para o sorriso bobo da pessoa que você ama, quando ela sorri, daquele jeito, só para você e para mais ninguém.
Defendo a leitura e odeio televisão. Não me pergunte o porquê, eu não era assim, mas a televisão já não me agrada tanto, prefiro ler, escrever e serei eterna defensora disso (é apenas meu ponto de vista, de novo, não me condenem). Acredito que as pessoas deveriam escrever mais. Principalmente quando estão angustiadas e sozinhas e não tem ninguém para conversar. Eu, particularmente, não gosto de telefone, e odeio conversas por celular que não sejam por mensagens de texto. Aliás, acabo com meus créditos de tantas mensagens que mando. Já cheguei a gastar uns 40 reais só em mensagens, num único dia. E sou meio nomofóbica também, apesar de achar que eu não deveria ser. Ahh, e acredito que as pessoas deveriam comer mais chocolate. É sim, mais chocolate. Tem coisa mais gostosa do que comer chocolate? Brigadeiro de panela? Tá, pareço uma obesa mórbida falando, mas são coisas simples, que são gostosas e liberam hormônios loucos que nos fazem bem. Fim de papo. Faz mal, mas faz bem.
Esse é meu eu. Sou uma pessoa como qualquer outra, livre de perfeição e que não é dona de porcaria de verdade nenhuma, mas que acredita que todos deveriam tentar observar melhor os detalhes à sua volta. Ser um pouco criança, e olhar bobo para o céu azul, ensolarado, e achar lindo, um pouco bagunceiro, desorganizado de vez em quando, e esquecer por dois minutos que as coisas não vão bem, ver o pôr-do-sol e ainda assim, sorrir, um pouco organizado, afinal, nem tudo é bagunça, e existem as responsabilidades, um pouco poeta, escritor, ouvinte e leitor, pois quando não há como falar, sempre tem um pedaço de papel para escrever, ou um computador para mandar um e-mail, ou um telefone para ligar... E à nossa volta a maioria das coisas são escritas, então, por que não exercitar isso, parar, e ler um pouco? Tentar brincar com cachorros e achar que são a coisa mais perfeita do mundo, sorrir para uma pessoa que está de mau-humor e tentar ajudar a melhorar seu dia, ser um pouco tudo, mas ser um pouco nada. Ser idiota, ser palhaço, ser sério, ser feliz, e quando estiver triste, colocar tudo para fora, sem guardar nada. As pessoas deveriam tentar ser mais sinceras e verdadeiras, sorrir mais, brincar mais, pegar aquele jogo de tabuleiro, e jogar com a família, sentar todo mundo à mesa, pedir uma pizza, e comer, falando besteira, dando risada. Passar o dedo no chantilly do bolo de chocolate que sua mãe fez e sair correndo, fazer cócegas em quem a gente gosta. Quantas vezes citei a palavra “sorrir” neste texto gigante? Será que não é um pouquinho disso que falta no mundo? Sorrisos sinceros e de coração, vindos de uma brincadeira, ou uma coisa bonita qualquer? Afinal, são coisas tão simples e que rendem tantos sorrisos!
Sou eterna apaixonada pelas coisas bonitas da vida, sim. Essas coisas que muitos julgam idiota, como rolar na grama, olhar o céu, discutir com alguém o formato daquela nuvem que parece tão fofinha... Gosto sim, de crianças sorrindo, de cachorros felizes e brincando, gosto sim de andar por aí, e de sorrir para as pessoas quando elas passam por mim. Adoro o fato de olhar boba para crianças e cachorros, sorrir, e as pessoas me acharem uma completa idiota. Dane-se. Se for pra ser idiota assim para sempre, vendo esse tipo de coisa, que eu seja idiota assim para sempre. E que todos sejamos idiotas assim para sempre, pois é exatamente esse tipo de idiotice que o mundo precisa. E sempre vai precisar...
E então, fecho meu ano aqui, e assim. Pedindo ao Sr. Papai Noel que traga mais sorrisos, e uma visão mais bonita de todas as coisas gostosas da vida. Pedindo ao Sr. Ano Novo, que traga coisas ainda mais bonitas no próximo ano, e que as pessoas sorriam mais quando as virem, e as sentirem...

Beijos, e obrigada a quem teve a paciência de ler até aqui, que eu sei, tem gente que precisa de muita, muita paciência. E um ótimo Natal. E Ano Novo? Melhor ainda!
Com muito, mas muito carinho mesmo,
Mihh Morota.

quarta-feira, novembro 30, 2011

E quando iriam?

Quando iriam entrelaçar os dedos e sair sem rumo, sem medo?
Sem destino numa aventura sem hora para voltar?
Esquecer do mundo numa noite de céu azul escuro, brilhante de lua cheia?
As luzes da cidade iluminando as ruas, e suas risadas quebrando o silêncio, dando uma pontinha de adrenalina, conversas intermináveis sobre as coisas da vida...
Lembranças das coisas bonitas que aconteceram enquanto sorriam, em todas as suas primeiras vezes juntos.
Quando iriam andar sem direção, sorrindo, brincando, crianças adultas, sem preocupação?

E então dentro daquele mundinho que criariam em torno deles mesmos, perceberiam que o céu já se tornou alaranjado, que seu brilho agora era diferente, que seria mais um dia quente de verão, e que logo teriam que comprar sorvetes.
Ouviriam os primeiros sons, depois de tanto silêncio, e procurariam pássaros em topos de árvores, cantos que são o despertar de mais um dia.
Mas sorrindo  um para o outro, saberiam que seria o início de mais uma memória gostosa, que ficaria para sempre guardada dentro de seus corações...

terça-feira, agosto 23, 2011

Que droga!


Ela não gostava muito dessa sensação de não saber o que estava sentindo.
E não suportava a sensação de estar anestesiada, ver a movimentação a sua volta e não sentir dor nenhuma. A falta de dor a deixava agoniada! Ao mesmo tempo aliviada, pois a dor, se a sentisse, seria insuportável.
Estava deitada naquela cama à horas e não sabia o que sentia. Aliás, não sentia nada! O que era pior!
Não sentia tristeza, não sentia dor, não sentia alivio, não sentia felicidade, não sentia.
Não sentia.
E não sentir, era a pior sensação do mundo.
Porque não sentia, porque não sabia, só via e deixava ir, e não sabia, e não sentia...
Queria dormir só para não sentir aquilo que não conseguia sentir.
Queria ficar acordada pra ver se finalmente sentia alguma coisa.
Mas a verdade era que nem conseguia dormir por estar tão sem sentir nada.

Que droga!

domingo, agosto 14, 2011

Feliz Dia dos Pais...

Quanta falta eu sinto das nossas conversas sobre carros novos, antigos, rodas, volantes e aerofólios...
Quanta falta eu sinto, de ver sentado na mesa da cozinha, mexendo na chave do seu carro e sempre trocando de chaveiro...
Quanta falta eu sinto, de te ver sentado, sempre na mesa da cozinha, fazendo contas e planejando como iria mandar fazer o próximo móvel da casa...
Quanta falta eu sinto, de te ver sentado no sofá, fazendo carinho na cabeça do meu irmão, que adormecia no seu colo, todas as noites, enquanto assistiam juntos aos seus desenhos favoritos, e quando minha mãe o chamava para ir dormir na cama, ele acordava correndo, e você sempre morria de rir da carinha de assustado que ele fazia...
Quanta falta eu sinto de acordar cedinho só para ir a feira com você, e cumprimentar todos os donos de barracas de frutas e te ajudar a escolher sempre as melhores laranjas...
Quanta falta eu sinto, de te ver descendo a escada de madrugada, pra “tomar um lanchinho”, e você perguntar se eu estava fazendo algum trabalho complicado de novo, e dizer que nenhum professor me dava folga...
Quanta falta eu sinto, de te ver sentado no sofá, ouvindo meu irmão pequeno lendo alguma coisa pra você...
Quanta falta eu sinto, de te ouvir todos os dias perguntando, animado: “tudo bem aí?” quando eu ou meu irmão voltávamos da rua...
Quanta falta eu sinto, de te ver lendo os dicionários de japonês, ainda que eu nunca soubesse o que tanto você procurava...
Quanta falta eu sinto, quando do nada, você falava que ia pedir comida de fora, em algum restaurante, ou lugar diferente e você ria, porque minha mãe ficava louca, já que ela já tinha preparado a comida...
Quanta falta eu sinto, de irmos ao bairro da Liberdade de domingo e almoçarmos e conversarmos juntos, sempre no mesmo restaurante e depois irmos as compras e enchermos o carro de coisas, e a avó brigar com a gente...
Quanta falta eu sinto, de quando íamos ao mercado, fugíamos da avó e enchíamos o carrinho de compras de besteira e porcaria, e quando a encontrávamos de novo, sempre tomávamos bronca dela e você sorria pra mim...
Quanta falta eu sinto, de te ver descascando varias laranjas e sempre as deixando na geladeira, para quem quisesse comer...
Quanta falta eu sinto, de te ver parado, na porta da garagem olhando o movimento da rua...
Quanta falta eu sinto, de sempre juntarmos tampinhas e anéis de latinha da Coca-cola juntos, e irmos trocar por ursos, miniaturas e chaveiros...
Quanta falta eu sinto, de quando eu e a avó jogávamos vídeo-game e você sempre perguntava quem estava ganhando e quando eu levantava a mão e dizia que era eu, sempre falava que eu não parava de roubar...
Quanta falta eu sinto, de você pedindo para imprimir envelopes com os nomes de cada um da família, para colocar o seu presente de Natal...
Quanta falta eu sinto, de estar sentada na cozinha de madrugada, e escutar você andando no andar de cima da casa, saindo do seu quarto e indo ao banheiro...
Quanta falta eu sinto, de sentar com você no sofá e assistir aos programas que falavam sobre os animais que sempre tanto te admiraram...
Quanta falta eu sinto, de te ouvir comentando sobre os suricatas e dizendo o quanto os achava engraçados...
Quanta falta eu sinto, da sua carinha séria, sempre fechada e de poucos amigos que você tinha, mesmo quando estava todo mundo cantando Parabéns Pra Você, no seu aniversário...
Quanta falta eu sinto, de quando você me chamava e me avisava que na geladeira, tinha kiwi descascado para mim e morango cortado para meu irmão...
Quanta falta eu sinto, quando você ia ao mercado e comprava varias coisas para fazer para a janta e minha mãe ficava doidinha sem saber o que fazer primeiro...
Quanta falta eu sinto, das suas histórias da época em que trabalhava...
Quanta falta eu sinto, de quando você parava de pé na sala, colocava as mãos na cintura e ficava olhando enquanto eu tirava as cortinas para lavar...
Quanta falta eu sinto, de quando a imagem da tv ficava ruim e você subia no telhado, não importando a hora que fosse, para mexer na antena, e o quanto você ficou feliz quando viu que não ia precisar mais fazer isso, quando ligamos a tv a cabo...
Quanta falta eu sinto, de fazer sempre os presentes do Dia dos Pais, na escola, pensando em você, e os professores perguntando “por que para o avô?”, e eu respondia que era porque você era meu único pai...
Quanta falta eu sinto, de quando íamos comprar caixas e caixas de picolé, e eu ficava brincando com o gelo seco que vinha dentro das caixas...
Quanta falta eu sinto, de quando te ouvia xingando os jogadores de “fominha”, ou reclamando que eles nunca passam a bola, e que não estão com nada...
Quanta falta eu sinto, quando você ia comigo até banca de jornal, comprava todas as figurinhas da banca, sentava comigo no chão da sala, me ajudava a colar todas elas no álbum e sempre reclamava da quantidade de figurinhas que vinham repetidas...
Quanta falta eu sinto, de quando você me buscava de carro na escola e quando estávamos quase em casa, você falava todo animado que no almoço teria comida diferente...
Quanta falta eu sinto, de quando pequena, ficar te imitando, ao seu lado, enquanto você dirigia...
Quanta falta eu sinto, de ver sua carinha de sem graça quando alguém te dava algum presente e você só falava “bigado” e abaixava a cabeça, e eu ria, porque eu sentia o quanto você ficava envergonhado...
Quanta falta eu sinto, de toda quinta feira irmos a feira e você comprar sempre dois pasteis e duas cocas, sempre um de carne para você e algum diferente para mim...
Quanta falta eu sinto, de todos os dias a tarde, do nada, você virar e falar que ia “tirar uma sonequinha”...
Quanta falta eu sinto, de todas as noites, passar pelo seu quarto e te ver deitado na cama, e as vezes ate te ver sorrindo, lendo os gibis da Mônica...
Quanta falta eu sinto, de passar por você quando estivesse sentado e te fazer um carinho nas costas, ou no ombro...
Quanta falta eu sinto de te dar um “oie” todos os dias, independente do horário, independente do que fazíamos... Simplesmente nos encontrávamos em casa, eu te dava um “oi” e você sempre me respondia com um “oi” e um carinho na cabeça...

Como era gostoso sentir que você tinha orgulho de mim, quando você ia assistir minhas apresentações na escolinha, quando eu mostrava meus boletins, quando eu dizia que estava de férias e tinha passado de ano, e quando eu mostrava os meus trabalhos da faculdade...

Tanta coisa que passamos juntos, tantas broncas, as vezes ate tantas brigas, mas sempre como se fossemos pai e filha, e ate hoje não entendo, sendo que você é só meu avô, como pude ter essa ligação tão forte, que com ninguém mais eu consigo ter. Quanta saudade, como queria ter você aqui para cuidar de mim e perguntar se está tudo bem, como sinto falta do seu aperto de mão, do seu carinho na minha cabeça, quanta vontade de te abraçar novamente, de te dar um beijo de boa noite, de te dar um “oi” de bom dia... Do seu sorriso, e da sua risada, coisas que eram raras, de tão sério que você era... Quanta saudade de você...

Minha base. Meu pai. Uma pessoa que eu tinha orgulho quando todos diziam que eu me parecia com ele, e perguntavam a ele se eu era sua filha. E ele não negava, mesmo eu sendo sua neta.
Meu exemplo. Minha força. Aquele que mesmo quando sentia dores e tudo parecia mal, sempre fazia as pessoas a sua volta sorrirem, com alguma piada.
Meu guerreiro. Meu patrocínio. Apesar de sua carinha de bravo, uma pessoa extremamente carinhosa e amorosa, que sempre olhava pra mim quando eu estava triste e perguntava por que estava quietinha, ou fazia carinho na minha cabeça quando eu estava sentada, lendo alguma coisa.
Meu velho. Meu querido. O cara que toda noite de sábado, piscava e sorria pra mim, e eu sempre entendia que aquela noite, seria a noite de comermos pizza, todos juntos, sentados a mesa, falando besteira.
Meu conselheiro. Meu protetor. Aquele que sempre que me via dormindo no sofá, abraçada com as matérias de provas, me cobria com um cobertor, aquele que sempre cuidava de mim e sei que independente de onde estiver, vai estar sempre olhando por mim. Para sempre o terei em meu coração e pensamento, porque você sim foi mais que meu avô. Foi meu pai. E foi sempre com você que eu tive essa ligação tão forte, que não tenho com mais ninguém.

Obrigada por tudo. Eu amo você, pai. Para sempre.

sexta-feira, agosto 12, 2011

Escrevendo

As coisas felizes a inspiram...
Mas as coisas tristes também a fazem escrever...
Afinal, ela sente tudo a flor da pele...
Ela chora, ela sorri, e tudo como se fosse para ficar marcado para sempre...
Ela observa, ela lê e disso tudo ela escreve...
Ela só quer um lugarzinho marcado, num universo da qual ela já pertence...
E ela vai continuar escrevendo...

quarta-feira, agosto 10, 2011

Cemitério...

O vento soprava mais forte e gelado naquela manha. O lugar que ela estava era mais alto que o resto da cidade, e então, ventava mais.
Ela odiava aquele lugar, por ele remeter a tantas lembranças ruins, mas ao mesmo tempo, era ali que se sentia em paz, e ali não se ouvia os sons dos carros, das motos, da grande confusão urbana. Só se ouvia o silêncio. As lágrimas saudosas de alguém que havia perdido um outro alguém, e o barulho das árvores balançando, ou dos pequenos pássaros que por ali passeavam e até mesmo do próprio vento, como num filme de terror. Se ouvia os pensamentos e preces. Minhas, e de tantas outras pessoas que sentiam saudade, que sentiam falta de alguém. E ela sentia que, apesar de tudo, aquele lugar queria passar um conforto, com as cores das flores, em tantos vasos espalhados pelo chão. Mas em poucos dias elas murchariam. Em poucos dias, elas se tornariam tristes e sem cor e então morreriam, trazendo novamente a sensação de perda, de melancolia, de algo que era tão vivo e colorido, e que lhe foi tirada a vida, como em todos os ciclos.
Ela olhou a seu redor e ali, de todos que estavam ao seu lado, era ela que se sentia a mais fraca. E se escondia.
Logo seria Dia dos Pais e ela sentia um aperto enorme sempre que chegava o mês de agosto. Ela sentia uma adaga ser torcida contra seu peito. Por mais que o tempo passasse, se sentia cada vez mais anestesiada, mas a dor ainda era presente. E aquela dor doía mais ainda em certas épocas do ano. Ela perdeu a base de tudo naquela noite abafada há anos atrás, quando o engenheiro elétrico apagou as luzes de quase toda a América do Sul, anunciando sua partida. E ela nunca mais foi a mesma. Machuca, dói. E ela não sabe para onde correr, não há quem a ajude a enxugar suas lágrimas, saudade, falta, coisa que achava que ninguém entenderia, doía, e como doía. Doía tanto da própria dor, doía tanto por estar sozinha. Doía tanto ver tanta gente e fingir ser tão feliz quanto elas, doía tanto querer chorar e soluçar e não conseguir. Doía tanto aquele vento gélido em seu rosto que faziam suas lágrimas congelarem e se despedaçarem quando caíam na grama. Doía tanto aquela saudade que a rasgava por dentro, saudade que nem as boas coisas, as boas lembranças afastavam. Doía. Ela estava tão cansada de tanta coisa que às vezes gostaria de trocar de lugar com aquele que havia levado seu chão. Ela queria que as pessoas entendessem o que se passava naquele coração aflito e em meio a tanto silêncio, ela queria gritar, queria um abraço, um ombro, queria tirar aquela adaga que a acompanhava já havia tanto tempo, mas ainda não tinha forças para tanto.
Olhou para o nome que estava gravado naquele pedaço de pedra. Sentia orgulho cada vez que olhava para aquele nome. Era daquele nome que sempre tirou esperança e forças para tentar de novo. Era daquele nome que sentia orgulho desde criança, nome único.
Aquele lugar remetia a lembranças ruins. À dores irreparáveis. Mas gostava de ficar sozinha e pensar em tudo, olhando aquele nome. Mórbido? Melancólico? Talvez. Mas quando lhe foi tirado a única coisa material que restava, quando a sua última ligação com aquele cara se foi, ela achou que precisava ir até lá, naquele lugar. Olhar aquele nome, e lembrar de tanta coisa boa...
A ponto de sentir a presença dele. A ponto de sorrir e dizer a si mesma, em pensamento, num silêncio que a fazia ficar surda: ''Sei que acreditava em mim. Seu último sorriso foi pra mim e o último carinho fui eu que senti. Sei que não me deixaria desistir. E eu não vou.''

terça-feira, agosto 09, 2011

Pegou estrada e...

Inspiração e a falta dela a faziam se sentir confusa. Seus próprios pensamentos a faziam se sentir confusa, ela não entendia nem o que se passava dentro dela, apesar de ser tudo tão claro e compreensível, e tudo tão obscuro, misterioso.
Ela se sentia bem em andar na rua embaixo do sereno, olhando para nada, observando tudo, num silêncio ensurdecedor, onde todos os barulhos a faziam sentir uma tranquilidade incômoda.
Queria pensar mas queria deixar tudo como uma parede branca e não pensar em nada. Confusão mas ao mesmo tempo total entendimento do que acontecia, do que era. Do que seria ou jamais seria. Do que foi ou jamais foi.
Uma lágrima, talvez sem sentido, talvez com sentimento, talvez incompreendido. Talvez triste, talvez com uma raiva que a rasgava por dentro. E então outra lágrima, e outra, e mais outra.
Lágrimas que já não eram mais salgadas, mas amargas, cheias de raiva, cheias de dor.
Lágrimas por aquilo que haviam levado dela, lágrimas por aquilo que a tiraram dela.
Ninguém nunca entenderia o que se passou dentro dela para que as lágrimas se tornassem tão afiadas, a ponto de machucá-la, ao sair.
Era como se ela sentisse seus olhos ardendo, como se cacos de vidro saíssem de dentro de seus olhos.
E então passou.
Já não havia mais nada a ser feito, e então ela parou.
Parou por vergonha. Não queria que ninguém a visse assim, não queria que ninguém mais caçoasse dela, queria colo, queria parar com tudo aquilo e por mais magoada que estivesse, queria esquecer tudo aquilo.
Mesmo porque... O que fazer com o rancor?
Aquilo doía, mas...O que poderia fazer?
Então ela respirou fundo, parou. Secou suas lágrimas e se calou. Não disse mais nada a mais ninguém.
Esqueceu do mundo, das dores, de tudo. Pegou a estrada e...

Se foi.

sexta-feira, julho 22, 2011

Pretérito Imperfeito

Aspirante a escritora de contos e contas.
Queria, fazia, acontecia, sabia.
Sonhava, fechava os olhos e sonhava.
Aquele dia ela não se sentia inspirada, apenas escrevia.
Entendia que aquela talvez não fosse a melhor forma de crescer, mas queria.
Percebeu que não tinha rumo, mas ainda assim, contos queria.
Sonhava com isso, seu desejo, ensejo de sonho.
Fazia bem, fazia mal, apenas queria, seria.
Contava, cantava, cantarolava, observava, lia, escrevia.
Tudo ia, tudo ia.
Pretérito Imperfeito.
Tudo ia.
Tudo ia ficar bem.
Seu sonho, realidade tornaria, e feliz seria.
Ia, ia, tudo ia.
Tudo será.
Será tudo aquilo que hoje seria.
E hoje ainda não é, e ainda não foi.
Passado já foi, e no futuro será.
Será escritora, será realizada, será e será.

Será feliz.

quarta-feira, julho 13, 2011

E as coisas gostosas?

Por incrível que pareça, ela tinha achado um tanto quanto gostoso andar sozinha, as 6h de uma manhã fria, com destino certo, apesar das diversas ruas pelas quais poderia seguir, e deixando suas pernas a levarem por caminhos diferentes daquele que estava habituada a passar.
Então, ela resolveu olhar para o céu. Sentiu aquela mesma nostalgia de sempre e percebeu que as nuvens de algodão doce eram cor de rosa. O Sol daria as caras então, mesmo com tanto frio.
Ela ouviu a barulheira de dois casais de periquitos, parados nos postes, no meio das pipas rasgadas e suas rabiolas enroladas nos fios, mesclando o urbano com a natureza.
Andando pelas ruas, e sem saber no que pensar, sentiu o cheirinho de bolo, que talvez estivesse ainda no forno e que faria parte do café da manhã de mais uma família apressada e sem tempo para conversar tomando seu leite com Nescau.
Continuou andando, e ouviu risadas gostosas, que desviaram seus pensamentos. Seria aquela a casa do tal bolo cheiroso? Ou será que aquela família não teria bolo na mesa do café da manhã, mas tem tempo para conversar antes de sair para o trabalho ou escola?
Cada vez mais carros e mais correria.
E apesar dos barulhos de motores, ela ainda conseguia escutar os Bem-te-vis fazendo bagunça. Provavelmente querendo desejar bom-dia, como os periquitos.
Em uma esquina qualquer, um senhor andava com seu cachorro, um Beagle lindo, e ela ficou encantada com tanta alegria que aquele cachorrinho sentia em rolar no chão com um vira-lata, bonito também, e sem preconceito nenhum, apenas brincando, se divertindo, e com certeza, sorrindo, e rindo, na linguagem dos cachorros. Ela os observava junto com o senhor. O senhor sorriu para ela, e ela sentiu ainda mais vontade de entrar na brincadeira e rolar no chão com os cachorrinhos.
Como pode as pessoas esquecerem de prestar atenção nessas coisas?
Nos cachorrinhos brincando, rolando, se divertindo?
Nos passarinhos barulhentos que só querem dar bom dia?
Nas nuvens que parecem algodão doce coloridos, dependendo da hora do dia?
Ou sentir aquele cheirinho de bolo quentinho, saindo do forno?

Por que ninguém mais tem tempo para essas coisas gostosas?