Inspiração e a falta dela a faziam se sentir confusa. Seus próprios pensamentos a faziam se sentir confusa, ela não entendia nem o que se passava dentro dela, apesar de ser tudo tão claro e compreensível, e tudo tão obscuro, misterioso.
Ela se sentia bem em andar na rua embaixo do sereno, olhando para nada, observando tudo, num silêncio ensurdecedor, onde todos os barulhos a faziam sentir uma tranquilidade incômoda.
Queria pensar mas queria deixar tudo como uma parede branca e não pensar em nada. Confusão mas ao mesmo tempo total entendimento do que acontecia, do que era. Do que seria ou jamais seria. Do que foi ou jamais foi.
Uma lágrima, talvez sem sentido, talvez com sentimento, talvez incompreendido. Talvez triste, talvez com uma raiva que a rasgava por dentro. E então outra lágrima, e outra, e mais outra.
Lágrimas que já não eram mais salgadas, mas amargas, cheias de raiva, cheias de dor.
Lágrimas por aquilo que haviam levado dela, lágrimas por aquilo que a tiraram dela.
Ninguém nunca entenderia o que se passou dentro dela para que as lágrimas se tornassem tão afiadas, a ponto de machucá-la, ao sair.
Era como se ela sentisse seus olhos ardendo, como se cacos de vidro saíssem de dentro de seus olhos.
E então passou.
Já não havia mais nada a ser feito, e então ela parou.
Parou por vergonha. Não queria que ninguém a visse assim, não queria que ninguém mais caçoasse dela, queria colo, queria parar com tudo aquilo e por mais magoada que estivesse, queria esquecer tudo aquilo.
Mesmo porque... O que fazer com o rancor?
Aquilo doía, mas...O que poderia fazer?
Então ela respirou fundo, parou. Secou suas lágrimas e se calou. Não disse mais nada a mais ninguém.
Esqueceu do mundo, das dores, de tudo. Pegou a estrada e...
Se foi.
Nenhum comentário:
Postar um comentário