Ela, caminhando numa tarde nublada, tentava entender por que se sentia tão chateada.
Em meio as folhas, cães vira-latas procurando algum lugar para ficar, em meio as crianças jogando bola, e em meio a mães que, na tentativa de fazer seus filhos pararem de correr, gritavam para convencê-los a irem embora por causa do tempo, ela caminhava sem rumo, observava as coisas a sua volta, mas não conseguia se concentrar em nada.
Era sempre a mesma coisa.
Ela nunca sabia o que era, ou o que a incomodava.
Sabia o quão isso era inquietante, e o quanto a fazia pensar em todas as coisas que poderiam ser o motivo de tal sensação.
Tentava deixar as palavras fluirem, tentava falar o que a deixava assim.
Nada nunca adiantava.
Caneta na mão. Papel no colo. Olhos no céu cinzento.
Até mesmo o fato de escrever desanimada a incomodava, pois ela sentia como se nada que rabiscasse, estivesse bom.
Desistiu de escrever, pegou seu livro preferido e tentou ler, folheou, olhou, folheou, olhou.
É como se não conseguisse entender uma só palavra ali escrita, é como se não conseguisse compreender o que estava lá, naquelas linhas.
Andava tão desanimada que mais uma vez, não via graça em mais nada.
Mais uma vez se sentia sozinha em meio a tanta gente que dizia gostar dela.
Mas...
O que a fazia se sentir assim, ser assim?
Ela não era o que ela acreditava, não era o que ela mesma sempre foi, e gostaria de ser.
Não era nada. E nem ela mesma.
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