quarta-feira, agosto 25, 2010

(Quase) Anjo...

Anjo. Cuida. Protege. Acolhe. Escuta. Aconselha. Acalma. Embala em sono quando se perde a esperança ou a fúria toma conta. E tenta sempre levar tudo para o melhor lado possível, tenta entender a tudo e a todos, e às mais diversas situações e às mais diversas versões, e às mais diversas pessoas, pensamentos, credos, atitudes... Tudo. Ela podia sim, dizer, sem receio algum, que talvez fosse um quase anjo.

Haviam momentos em que ela realmente se sentia um quase anjo. E haviam momentos em que a injustiça e talvez até mesmo a falta de reconhecimento por todo seu esforço, a esgotavam. Ela tentava, corria, queria e fazia acontecer. Mas ninguém reconhecia nada disso. A falta de reconhecimento, de alguma forma não a incomodava tanto, mas o fato de certas pessoas dizerem a ela, que ela nada fazia para que as coisas melhorassem, ou dissessem que ela nada fazia por nada, nem a ninguém, a deixava furiosa.

Ela se sente a menina idiota, que sempre fez de tudo pelos outros e alem de não reconhecerem, ela se sente obrigada a ouvir desaforo. Pois não. Ela já não aguenta mais. E por isso mesmo ela tem se isolado, fugido e, seguindo conselhos, tem vontade até de ser grossa, e dizer tudo aquilo de mais rude, sujo e cruel que lhe vem a ponta da língua... Mas nunca o diz. Não por falta de coragem, pois quando o sangue sobe e ferve, há-se coragem para tudo. Mas ainda assim, certas atitudes, e pensando até nas futuras conseqüências, ela pára para pensar. E acaba engolindo tudo a seco. E machuca.

Aquilo fica entalado, louco para sair, e então, vem de novo o choro. De raiva, de ódio, de vontade de matar, de vontade de morrer. E ela se perguntava todas as noites por que era assim, e não dizia tudo aquilo de mais rude, sujo e cruel que lhe vinha a ponta da língua. Não era de sua essência, talvez ela já tivesse trabalhado tanto a sua paciência, que até o fato de ser paciente demais acabou virando um defeito, uma coisa que muitas vezes a fazia mal e que fazia com que ela sentisse cada vez mais vontade de deixar de ser quase anjo.

Egotismo? Talvez. Mas ela tinha sim peito para dizer que era um quase anjo. E ela descobriu que quase anjos cansam. Apesar da bondade, apesar da paciência, apesar de tudo, quase anjos cansam e sentem medo também. E sentem vontade de deixar de serem quase anjos...

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