Quanta falta eu sinto das nossas conversas sobre carros novos, antigos, rodas, volantes e aerofólios...
Quanta falta eu sinto, de ver sentado na mesa da cozinha, mexendo na chave do seu carro e sempre trocando de chaveiro...
Quanta falta eu sinto, de te ver sentado, sempre na mesa da cozinha, fazendo contas e planejando como iria mandar fazer o próximo móvel da casa...
Quanta falta eu sinto, de te ver sentado no sofá, fazendo carinho na cabeça do meu irmão, que adormecia no seu colo, todas as noites, enquanto assistiam juntos aos seus desenhos favoritos, e quando minha mãe o chamava para ir dormir na cama, ele acordava correndo, e você sempre morria de rir da carinha de assustado que ele fazia...
Quanta falta eu sinto de acordar cedinho só para ir a feira com você, e cumprimentar todos os donos de barracas de frutas e te ajudar a escolher sempre as melhores laranjas...
Quanta falta eu sinto, de te ver descendo a escada de madrugada, pra “tomar um lanchinho”, e você perguntar se eu estava fazendo algum trabalho complicado de novo, e dizer que nenhum professor me dava folga...
Quanta falta eu sinto, de te ver sentado no sofá, ouvindo meu irmão pequeno lendo alguma coisa pra você...
Quanta falta eu sinto, de te ouvir todos os dias perguntando, animado: “tudo bem aí?” quando eu ou meu irmão voltávamos da rua...
Quanta falta eu sinto, de te ver lendo os dicionários de japonês, ainda que eu nunca soubesse o que tanto você procurava...
Quanta falta eu sinto, quando do nada, você falava que ia pedir comida de fora, em algum restaurante, ou lugar diferente e você ria, porque minha mãe ficava louca, já que ela já tinha preparado a comida...
Quanta falta eu sinto, de irmos ao bairro da Liberdade de domingo e almoçarmos e conversarmos juntos, sempre no mesmo restaurante e depois irmos as compras e enchermos o carro de coisas, e a avó brigar com a gente...
Quanta falta eu sinto, de quando íamos ao mercado, fugíamos da avó e enchíamos o carrinho de compras de besteira e porcaria, e quando a encontrávamos de novo, sempre tomávamos bronca dela e você sorria pra mim...
Quanta falta eu sinto, de te ver descascando varias laranjas e sempre as deixando na geladeira, para quem quisesse comer...
Quanta falta eu sinto, de te ver parado, na porta da garagem olhando o movimento da rua...
Quanta falta eu sinto, de sempre juntarmos tampinhas e anéis de latinha da Coca-cola juntos, e irmos trocar por ursos, miniaturas e chaveiros...
Quanta falta eu sinto, de quando eu e a avó jogávamos vídeo-game e você sempre perguntava quem estava ganhando e quando eu levantava a mão e dizia que era eu, sempre falava que eu não parava de roubar...
Quanta falta eu sinto, de você pedindo para imprimir envelopes com os nomes de cada um da família, para colocar o seu presente de Natal...
Quanta falta eu sinto, de estar sentada na cozinha de madrugada, e escutar você andando no andar de cima da casa, saindo do seu quarto e indo ao banheiro...
Quanta falta eu sinto, de sentar com você no sofá e assistir aos programas que falavam sobre os animais que sempre tanto te admiraram...
Quanta falta eu sinto, de te ouvir comentando sobre os suricatas e dizendo o quanto os achava engraçados...
Quanta falta eu sinto, da sua carinha séria, sempre fechada e de poucos amigos que você tinha, mesmo quando estava todo mundo cantando Parabéns Pra Você, no seu aniversário...
Quanta falta eu sinto, de quando você me chamava e me avisava que na geladeira, tinha kiwi descascado para mim e morango cortado para meu irmão...
Quanta falta eu sinto, quando você ia ao mercado e comprava varias coisas para fazer para a janta e minha mãe ficava doidinha sem saber o que fazer primeiro...
Quanta falta eu sinto, das suas histórias da época em que trabalhava...
Quanta falta eu sinto, de quando você parava de pé na sala, colocava as mãos na cintura e ficava olhando enquanto eu tirava as cortinas para lavar...
Quanta falta eu sinto, de quando a imagem da tv ficava ruim e você subia no telhado, não importando a hora que fosse, para mexer na antena, e o quanto você ficou feliz quando viu que não ia precisar mais fazer isso, quando ligamos a tv a cabo...
Quanta falta eu sinto, de fazer sempre os presentes do Dia dos Pais, na escola, pensando em você, e os professores perguntando “por que para o avô?”, e eu respondia que era porque você era meu único pai...
Quanta falta eu sinto, de quando íamos comprar caixas e caixas de picolé, e eu ficava brincando com o gelo seco que vinha dentro das caixas...
Quanta falta eu sinto, de quando te ouvia xingando os jogadores de “fominha”, ou reclamando que eles nunca passam a bola, e que não estão com nada...
Quanta falta eu sinto, quando você ia comigo até banca de jornal, comprava todas as figurinhas da banca, sentava comigo no chão da sala, me ajudava a colar todas elas no álbum e sempre reclamava da quantidade de figurinhas que vinham repetidas...
Quanta falta eu sinto, de quando você me buscava de carro na escola e quando estávamos quase em casa, você falava todo animado que no almoço teria comida diferente...
Quanta falta eu sinto, de quando pequena, ficar te imitando, ao seu lado, enquanto você dirigia...
Quanta falta eu sinto, de ver sua carinha de sem graça quando alguém te dava algum presente e você só falava “bigado” e abaixava a cabeça, e eu ria, porque eu sentia o quanto você ficava envergonhado...
Quanta falta eu sinto, de toda quinta feira irmos a feira e você comprar sempre dois pasteis e duas cocas, sempre um de carne para você e algum diferente para mim...
Quanta falta eu sinto, de todos os dias a tarde, do nada, você virar e falar que ia “tirar uma sonequinha”...
Quanta falta eu sinto, de todas as noites, passar pelo seu quarto e te ver deitado na cama, e as vezes ate te ver sorrindo, lendo os gibis da Mônica...
Quanta falta eu sinto, de passar por você quando estivesse sentado e te fazer um carinho nas costas, ou no ombro...
Quanta falta eu sinto de te dar um “oie” todos os dias, independente do horário, independente do que fazíamos... Simplesmente nos encontrávamos em casa, eu te dava um “oi” e você sempre me respondia com um “oi” e um carinho na cabeça...
Como era gostoso sentir que você tinha orgulho de mim, quando você ia assistir minhas apresentações na escolinha, quando eu mostrava meus boletins, quando eu dizia que estava de férias e tinha passado de ano, e quando eu mostrava os meus trabalhos da faculdade...
Tanta coisa que passamos juntos, tantas broncas, as vezes ate tantas brigas, mas sempre como se fossemos pai e filha, e ate hoje não entendo, sendo que você é só meu avô, como pude ter essa ligação tão forte, que com ninguém mais eu consigo ter. Quanta saudade, como queria ter você aqui para cuidar de mim e perguntar se está tudo bem, como sinto falta do seu aperto de mão, do seu carinho na minha cabeça, quanta vontade de te abraçar novamente, de te dar um beijo de boa noite, de te dar um “oi” de bom dia... Do seu sorriso, e da sua risada, coisas que eram raras, de tão sério que você era... Quanta saudade de você...
Minha base. Meu pai. Uma pessoa que eu tinha orgulho quando todos diziam que eu me parecia com ele, e perguntavam a ele se eu era sua filha. E ele não negava, mesmo eu sendo sua neta.
Meu exemplo. Minha força. Aquele que mesmo quando sentia dores e tudo parecia mal, sempre fazia as pessoas a sua volta sorrirem, com alguma piada.
Meu guerreiro. Meu patrocínio. Apesar de sua carinha de bravo, uma pessoa extremamente carinhosa e amorosa, que sempre olhava pra mim quando eu estava triste e perguntava por que estava quietinha, ou fazia carinho na minha cabeça quando eu estava sentada, lendo alguma coisa.
Meu velho. Meu querido. O cara que toda noite de sábado, piscava e sorria pra mim, e eu sempre entendia que aquela noite, seria a noite de comermos pizza, todos juntos, sentados a mesa, falando besteira.
Meu conselheiro. Meu protetor. Aquele que sempre que me via dormindo no sofá, abraçada com as matérias de provas, me cobria com um cobertor, aquele que sempre cuidava de mim e sei que independente de onde estiver, vai estar sempre olhando por mim. Para sempre o terei em meu coração e pensamento, porque você sim foi mais que meu avô. Foi meu pai. E foi sempre com você que eu tive essa ligação tão forte, que não tenho com mais ninguém.
Obrigada por tudo. Eu amo você, pai. Para sempre.
5 comentários:
E ele com todo certeza está o tempo todo ai com você.
ainh mihhh, meu amor..
chorei =,(
ele está sim ao seu lado, o tempo todo mas um dia também tem que deixar ele ir
Foda! Sei oq tu senti! beijos
Lindo e emocionante texto, Mihh! Tenho certeza que esteja onde estiver, seu avô sente um orgulho incrível de você! E com toda razão!
Mil beijos, querida e parabéns por passar tanta emoção.
Pode ter certeza que seu avô está sempre com vc, te dando forças pra superar cada dia..
E ele tem muito orgulho da mulher maravilhosa que vc é !!!
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