sexta-feira, novembro 19, 2010

Gritar, chutar...

Ela queria gritar, talvez desabafar aquilo que estivesse entalado em sua garganta, mas já não havia voz. Eram sussurros, abafados pelo barulho da bagunça, pela gritaria que havia em seus pensamentos. Não conseguia se concentrar, e mesmo ouvindo, não conseguia acompanhar a letra da música.
Ela queria correr, chutar tudo aquilo que a fazia se sentir pequena e desprezível, mas não havia matéria física para o mesmo. Havia vazio, havia espaço, um espaço ocupado pelo... Nada. Não conseguia se levantar, mesmo que tentasse, caía.

Perdida. Em meio a bagunça. Sozinha. No nada.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Difícil de compreender, explicar...

Como explicar quando existe aquele pensamento de "não sou boa naquilo que faço"?
Era estranho, pois, por mais que ela soubesse que tinha várias qualidades, ela ainda assim, se sentia pouco, e não sentia como se fosse realmente boa naquilo em que as pessoas diziam que ela era...

Difícil de compreender? Mais difícil ainda de sentir, e explicar.


quarta-feira, novembro 03, 2010

Odiava seus reflexos...

Ela se olhava no vidro do box enquanto tomava banho, e o seu reflexo dizia: Você não é nada. Você não tem nada. Você nunca conquista nada daquilo que deseja. Você é uma completa inútil, perdedora. Ninguém gosta de você, não, pura ilusão. E vai ser assim para sempre, sem nada, sem ninguém. Triste, solitária e chorando sozinha pelos cantos, sem ninguém que te dê um ombro, um colo, um abraço. Vai apodrecer sozinha, sem nada. Por que não morre logo? Por que não acaba com tudo isso de uma vez? 


Ela se sentou no chão do banheiro, chorando, sozinha, olhando agora aquele reflexo, de uma menina nua, sentada, a água levando embora suas lágrimas. Não tinha onde se apoiar e ia caindo, cada vez mais. Sempre mais e mais. Tinha pena de si mesma. Odiava seus reflexos. Nada mais a satisfazia, nada mais a deixava feliz. Nem o amor que sentia e ouvia. Nem carinho, ela sabia se o tinha. Acreditava que talvez tudo aquilo que ela já sentiu pelos outros, talvez nunca tivessem sentido por ela. Não, ninguém a acarinhava. Não, talvez ninguém a amasse ou sentisse carinho por ela. Nunca desejou tanto estar morta como agora. Pegou o celular e digitava freneticamente as palavras que vinham à cabeça, como num desabafo melancólico que machucava. Queria que aquelas fossem suas últimas palavras e que em algum surto, ela morresse, naquele momento. Já não havia mais nenhum sorriso sincero, nem sabia mais o que sentia dentro dela. E quem ela achava que talvez se importasse, a repelia, como se já não se importasse mais, como se não a quisesse por perto em momento algum, como se houvesse o sentimento de nojo. Nojo. Sentia nojo dela mesma e do que era. Sentia repulsa quando pensava em sua vida. Sentia vontade de se esconder em alguma gruta e por lá ficar, até ter sua vida levada com o vento. 


Chorou muito, por horas. E quando parou, olhou novamente seu reflexo, e achou que de nada adiantaria, e que por mais que ali demorasse, ninguém sentiria sua falta, então, resolveu se levantar. Secou seu corpo, cheio de marcas invisíveis da dor que sentia por dentro, e saiu do banheiro. Ainda com nojo. Ainda com raiva. Ainda com a vontade absurda de morrer.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Perda de tempo...

Sim.
Como ela havia dito que seria, ela novamente perdeu seu tempo, indo apertar dois botõezinhos, ouvindo aquele barulhinho irritante...


Mais tempo perdido, mais tempo perdido...