sexta-feira, agosto 06, 2010

Só esquecer...

Nos últimos tempos ela tem aprendido a usar máscaras, e chegou a conclusão de que talvez essa seja a melhor coisa a fazer, e tentar fingir que está tudo bem.
Ela sentia vontade de não se importar mais, de não querer mais, de simplesmente esquecer tudo.
O vidro do box embaçado, a fazia se sentir sufocada, e o vapor a fazia sentir como se não enxergasse saída.
Ela se olhava no espelho e se achava a menina, a mulher mais fraca do mundo.
Dor de cabeça insuportável, ela achava que talvez aquilo fosse um choro reprimido, pois foram incontáveis as vezes em que ela levantou a cabeça e disse à si mesma que não iria chorar. E não chorou.
Mas sozinha, sua cabeça chegou a um milhão, e ela não sabia o que fazer, nem para onde correr, e então, novamente a vontade veio. E desta vez, ela não aguentou.
Sentada no chão, lágrimas e água se misturavam, e de tantos soluços, abafados pelo barulho do chuveiro, ela sentia o gosto da sua frustração. Do seu medo. Da sua falta de coragem.

É como se todas as coisas que ela gostaria de esquecer viessem à tona, de uma só vez, como se todas as lembranças, das mais variadas, se acumulassem dentro daquele box embaçado, fazendo ela sentir como se estivesse afogando em seus próprios pensamentos.

Ela não conseguia guardar rancor, e eram principalmente as coisas boas que ela queria esquecer, pois eram as coisas boas que mais a machucavam.

Ela queria esquecer. Só esquecer...


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