Às vezes bate uma carência. Sabe, me dá uma vontade de encontrar meu pai.
Não sei, minha mãe me faz tão bem, sou tão feliz com ela, ela sempre foi, é, e sempre será meu porto seguro, minha deusa, minha vida, meu tudo... Mas eu não tenho nem idéia do que é ter um pai.
Por mais que eu diga que meu avô me criou como filha, por mais que eu o considere um pai para mim, não é a mesma coisa.
Tem vez que eu saio de casa e olho para os lados, procurando mesmo, imaginando o susto que seria se um dia, eu o encontrasse. Imaginando o que eu diria para ele, o que ele diria para mim. Tantas perguntas que eu iria fazer, o por quê, o motivo, a razão de tudo ter acontecido da forma como aconteceu...
Mas tem horas que eu paro para pensar, e eu gostaria de nunca vê-lo, nunca conhecê-lo, de nem ter oportunidade de um dia, cruzar com ele.
E se isso um dia acontecesse... Será que ele me reconheceria? Será que ele viria falar comigo? Será que ele já passou do meu lado e eu nem vi, e nem ele me viu? Será que eu teria coragem de falar com ele, se eu o reconhecesse? Será que um dia a gente vai se cruzar, sentar e conversar sobre tudo?
Será que vale a pena pensar nisso?
Porque um dia ele quis conversar comigo. Eu tinha acabado de fazer 17 anos, e para mim, só o fato de haver uma possibilidade de conversar com ele, já foi assustador. Como hoje minha cabeça é completamente diferente de três anos atrás... Talvez tudo seria mais tranqüilo. Talvez eu não entrasse em desespero e não hesitasse tanto quanto eu o fiz naquela época. E de tanto ficar pensando no que fazer... Perdi a oportunidade.
Eu vivia dizendo que eu o odeio, de todo coração. Mas não consigo. Não dá. Não sei odiar. Nem meu pai, que sacaneou minha mãe, nem os cachorros do meu vizinho, que passam a noite toda latindo e não me deixam dormir, nem o cara que eu amava e me deixou, nem o pai do meu irmão, que eu só aturo por causa dele e da minha mãe, nem nada... nem ninguém.
Me sinto horrível, uma completa idiota.
Por mais que as pessoas digam: “Não, melhor assim; odiar é ruim; ainda bem que você não odeia ninguém; não sinta isso mesmo, não é bom”.
Não é assim que eu gostaria que funcionasse...
Eu quero odiar, eu quero sentir raiva, não quero que seja uma raiva, um ódio momentâneo, quero que seja pra sempre, quero sentir um ódio de me fazer ficar com os olhos vermelhos, um ódio que me deixe descontrolada...
Mas não dá. Eu não consigo.
E me sinto um lixo por isso.
Por que será que eu sou tão idiota assim?
Por que quero, mas não quero meu pai?
Por que será que eu sou assim?
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