sexta-feira, julho 22, 2011

Pretérito Imperfeito

Aspirante a escritora de contos e contas.
Queria, fazia, acontecia, sabia.
Sonhava, fechava os olhos e sonhava.
Aquele dia ela não se sentia inspirada, apenas escrevia.
Entendia que aquela talvez não fosse a melhor forma de crescer, mas queria.
Percebeu que não tinha rumo, mas ainda assim, contos queria.
Sonhava com isso, seu desejo, ensejo de sonho.
Fazia bem, fazia mal, apenas queria, seria.
Contava, cantava, cantarolava, observava, lia, escrevia.
Tudo ia, tudo ia.
Pretérito Imperfeito.
Tudo ia.
Tudo ia ficar bem.
Seu sonho, realidade tornaria, e feliz seria.
Ia, ia, tudo ia.
Tudo será.
Será tudo aquilo que hoje seria.
E hoje ainda não é, e ainda não foi.
Passado já foi, e no futuro será.
Será escritora, será realizada, será e será.

Será feliz.

quarta-feira, julho 13, 2011

E as coisas gostosas?

Por incrível que pareça, ela tinha achado um tanto quanto gostoso andar sozinha, as 6h de uma manhã fria, com destino certo, apesar das diversas ruas pelas quais poderia seguir, e deixando suas pernas a levarem por caminhos diferentes daquele que estava habituada a passar.
Então, ela resolveu olhar para o céu. Sentiu aquela mesma nostalgia de sempre e percebeu que as nuvens de algodão doce eram cor de rosa. O Sol daria as caras então, mesmo com tanto frio.
Ela ouviu a barulheira de dois casais de periquitos, parados nos postes, no meio das pipas rasgadas e suas rabiolas enroladas nos fios, mesclando o urbano com a natureza.
Andando pelas ruas, e sem saber no que pensar, sentiu o cheirinho de bolo, que talvez estivesse ainda no forno e que faria parte do café da manhã de mais uma família apressada e sem tempo para conversar tomando seu leite com Nescau.
Continuou andando, e ouviu risadas gostosas, que desviaram seus pensamentos. Seria aquela a casa do tal bolo cheiroso? Ou será que aquela família não teria bolo na mesa do café da manhã, mas tem tempo para conversar antes de sair para o trabalho ou escola?
Cada vez mais carros e mais correria.
E apesar dos barulhos de motores, ela ainda conseguia escutar os Bem-te-vis fazendo bagunça. Provavelmente querendo desejar bom-dia, como os periquitos.
Em uma esquina qualquer, um senhor andava com seu cachorro, um Beagle lindo, e ela ficou encantada com tanta alegria que aquele cachorrinho sentia em rolar no chão com um vira-lata, bonito também, e sem preconceito nenhum, apenas brincando, se divertindo, e com certeza, sorrindo, e rindo, na linguagem dos cachorros. Ela os observava junto com o senhor. O senhor sorriu para ela, e ela sentiu ainda mais vontade de entrar na brincadeira e rolar no chão com os cachorrinhos.
Como pode as pessoas esquecerem de prestar atenção nessas coisas?
Nos cachorrinhos brincando, rolando, se divertindo?
Nos passarinhos barulhentos que só querem dar bom dia?
Nas nuvens que parecem algodão doce coloridos, dependendo da hora do dia?
Ou sentir aquele cheirinho de bolo quentinho, saindo do forno?

Por que ninguém mais tem tempo para essas coisas gostosas?

domingo, julho 10, 2011

Os pais de nossos pais...

Acho que crescemos.
Chegamos na idade de perder alguns e entender melhor o porquê disso acontecer.
Chegamos na idade de compreender melhor o porquê da dor, e já não somos mais assim, tão crianças, e os adultos não precisam se preocupar tanto em como nos explicar o que aconteceu.
Ainda não sei se essa dor machuca menos ou machuca mais por entendermos melhor o porquê das coisas, não sei se a idade ameniza essa dor, ou se ela só piora.
O problema é que por mais que o tempo passe, sempre vamos sentir falta das nossas travessuras de criança, e de quando nossos avós nos protegiam, ou nos davam doces antes do jantar, por sermos bonzinhos, por mais que os pais tivessem deixado ordem expressa de não comer doces antes da hora.
Sempre vamos sentir falta das broncas por ter aprontado mais uma, por ter quebrado aquele vaso preferido na nossa avó, ou por deixar nosso avô louco por brincar com a mangueira e molhar toda a garagem.
Sempre vamos guardar aquela foto meio amarelada que tiraram quando éramos pequeninos e estávamos no colo deles, rindo de nada.
E quem não sente saudade das férias passadas na casa dos avós? Ele com tantas histórias do seu tempo de criança, ela, com tantas coisas gostosas.
Avós são assim.
Poucos tem a oportunidade de passar um tempão gostoso com eles. Aprontar, ser mimado, protegido da bronca e até um pouquinho estragados.
Eu tive tudo isso.
E ninguém faz ideia do quanto sou agradecida a eles.
E o quanto agradeço ao tempo por ter deixado eu os aproveitar tanto...


Em homenagem aos meus avós. E a todos os avós que tive oportunidade de conhecer, e que pude aproveitar, um pouquinho, ou um montão...

segunda-feira, julho 04, 2011

Futuro...

Um dia fizeram uma pergunta à ela, quando ainda era bem novinha, e ela, na sua inocência infantil sempre teve várias respostas diferentes, e conforme foi crescendo, as respostas também foram mudando.

"O que você vai ser quando crescer?"
- Grande!
- Igualzinha a minha mãe!
- Modelo!
- Dentista!
- Médica!
- Professora!
- Psicóloga!
- Quero estar bem longe daqui!
- Não sei...
- Rica!
- Charlie Harper!
- Uma esposa e mãe dedicada!
- ...
- ...
- ...
- Feliz!

Sim. Hoje ela só quer ser feliz.
Como ela quer seja seu futuro? Feliz e isso basta.
Ela quer estar sentada na varanda do seu apartamento, olhando os carros passando, ou então, sentada na areia olhando o mar.
Seu futuro pode ser humilde, e estar numa casa, feliz, lendo e digitando, tomando chá.
Vendo o vento fazer com que os galhos de árvores balancem e batam no vidro, brincar com seu cachorro no quintal.
Trazer pãozinho quentinho da padaria e se deliciar com um café bem quentinho numa manhã cinzenta. Ouvir a chuva nos telhados e daí tirar inspiração.
Ter a oportunidade de sair sem pressa nenhuma para voltar e só de ver um sorriso, escrever linhas cheias de ternura, transparecendo aquela paz que tanto sonhou conquistar...

É assim que ela quer seu futuro. Feliz.