quarta-feira, maio 18, 2011

Sorrisos, sinceros sorrisos despreocupados...

Por um momento, talvez aquela mulher, já madura, com seus filhos, esqueceu seus problemas. Aquele de todos os dias que a faziam ficar de cabelo em pé e cansada demais, coisa normal, levando em conta que em casa, aquela mulher fazia tudo!
A menina se sentia encantada a cada sorriso daquela mulher. Ah! Que sorrisos lindos! Mas que infelizmente são raros, por ser tão fechada, tão durona, tão quieta.
Porém, naquele dia, tudo estava diferente. E a qualquer besteira que ouvia, aquela mulher sorria, e seus filhos, inspirados em piadas sem graça, falavam besteiras e mais besteiras sem sentido. Para ver mais sorrisos. Com olhos que brilhavam. Com olhares de criança. Tudo, só para ver aqueles raros sorrisos sinceros, de alguém que estava se divertindo, apesar do cansaço, cansaço de todos os dias.
Um dia diferente, mudança de ares, rostos diferentes, ambiente diferente, mudança de rotina, vista diferente, mulher diferente.
Aquele jeito de durona daquela mulher, era talvez, justificado. Criada assim, sorria, mas ainda assim, preocupada com o deveria colocar no fogão ou com as roupas para passar.
Mas aquele dia era dela! E só dela! Então ela parecia ter esquecido de tudo! E sorria...
Aquela mulher sorria e seus olhos brilhavam de um jeito que ela não entendia, mas fazia com que todos a sua volta se sentissem bem, todos sorriam juntos, e a menina sorria também. Ah! Como a menina queria aquilo todos os dias, como queria aqueles sorrisos despreocupados todas as horas do dia!
Aqueles sorrisos, devidamente guardados, a menina os tem para si. Em coração. Na esperança de conseguir mais e mais sorrisos daquela mulher, sempre alegres, gostosos, livres de qualquer tipo de preocupação ou receio.
Sorrisos daquela mulher que é mais do que uma mulher qualquer.
A menina a tem para si, como uma fonte de inspiração, às vezes de preocupação, às vezes de raiva, ternura, e sempre amor incondicional.
Sorrisos daquela mulher sorridente, daquela que a completa, daquela mulher, que a menina chama com o nome mais doce que pode existir: mãe.

*Sim. Escrevi esse texto pensando na mulher preocupada com o jantar, ou com as roupas para passar. Preocupada comigo ou com meu irmão. Com os horarios de escola, com a grana de todos os dias. Não que ela não sorria. Mas talvez ela não tenha tempo de "sorrir" de verdade, sem nada, nem ninguém martelando em sua cabeça ou cobrando algo. E sim, a menina, a mulher, tudo é real. Aquele dia, ela sorriu de verdade, houve chance dela sair da rotina e esquecer de tudo que a preocupava. Escrevi esse texto no Dia das Mães. E nada, nada foi mais lindo, mais gostoso, e mais tudo naquele domingo, como o sorriso despreocupado dela...*