As lembranças ficam armazenadas por algum motivo estranho e que chega a ser bem complicado, por mais simples que tenha sido o que nos fez guardar essa memória.
A infância, só uma brincadeira, só um plano.
Só isso basta.
Claramente, mas ainda que meio vago, vem a lembrança de duas crianças olhando pela janela, avistando montanhas e pôr-do-sol, numa curiosidade que mata, de saber o que há ali, tão longe, onde o sol se esconde.
Brincadeiras, irmãos que sentam e descobrem a simplicidade complicada de se colocar uma pipa no céu azul, numa tarde sem vento. Noites de video-game e rádio, comendo salgadinho e tomando refrigerante.
Mas ainda assim, mesmo com walk talkies de brinquedo que nem ao menos funcionavam direito, haviam planos de fuga, vontade de ir embora. Fugir. Crescer, ser livre da super proteção, sem nem ter consciência do que toda a aparente chatisse e tirania adulta, na verdade é aquilo que os une, que os persegue ainda depois da maioridade. Aquilo que mesmo distantes um do outro, não os deixa dormir, aquilo que ainda depois de velhos, os faz pensar em fugir e descobrir, cada um a seu modo, o que há de verdade atrás das montanhas, que os prédios esconderam ao longo dos anos, junto com a inocência e simplicidade daqueles olhares imaturos, curiosos e sonhadores, dando lugar à responsabilidade de crescer, ser adulto e responder as expectativas de tudo e todos.
E deixar de ser criança...